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Gestão de riscos: entenda como preveni-los pode ser a solução

Identificar, classificar, avaliar, consolidar, tratar, monitorar, reavaliar… Os passos da gestão de riscos são muitos, mas qualquer que seja a organização, o passo inicial é o mesmo: descobrir quais são seus “inimigos” – os riscos e ameaças que sua empresa está passível de sofrer. O tema foi tratado no painel Risk Management da Conferência de Segurança Operacional Safe 2 Go, evento promovido pela Gol que teve sua primeira edição nesta quinta (5), em São Paulo.

“A verdade é que já no dia a dia realizamos uma gestão de riscos com nossa própria vida, de forma empírica: pensamos nos riscos que podemos passar, e inconscientemente o evitamos. O que cada empresa precisa fazer é uma metodologia que faça sentido para sua própria organização, descobrir quais as ameaças delas e criar estratégias para combatê-las”, explicou o gerente de Segurança da Informação e Gestão de Risco da CCEE Energy Company, Jefferson Souza, que comanda a associação responsável pelas empresas nacionais que comercializam energia elétrica no País

De acordo com Souza, há dois meios de olhar os riscos de sua empresa: a visão projetiva e a prospectiva. “Olhar suas histórias, as informações acerca de seus erros, lições aprendidas, para pesar suas políticas e decisões para o futuro”, explicou o executivo da CCEE.

“Riscos inerentes às atividades da empresa devem ser identificados de modo a evitar a ocorrência de acidentes ou assegurar a minimização de seus efeitos, e um dos meios mais efetivos de se fazer isso é analisar, investigar e documentar todas as ocorrências que já aconteceram na empresa, de modo a reincidência delas possa ser evitada no futuro”, reforçou o gerente de Segurança, Meio Ambiente e Saúde de Aviação na Petrobras Distribuidora S/A, Luiz Henrique de Almeida – que cuida, entre outras coisas, do setor de combustível para aeronaves.

“Já a visão prospectiva sempre é meio turva, você não sabe exatamente o que vai acontecer, mas tem que antever, antecipar”, continuou Jefferson Souza. “O otimismo exacerbado daquele pensamento de ‘comigo não vai acontecer’ não pode existir… As empresas tem que estar preparadas, é o melhor modo de não só gerir os riscos, mas evitá-los”, resumiu.

EXPERIÊNCIA E CREDIBILIDADE
Também presente no painel, o administrador do Hospital Albert Einsten, Haggeas Fernandes, explicou que o bom funcionamento de uma empresa não passa apenas pelo seu serviço principal, mas por todas as fases que fazem parte da experiência do serviço.

“A pessoa desde começo tem que se sentir segura, confortável e acolhida, do momento que você deixa o carro com o manobrista até o momento em que termina seu atendimento, e não apenas no tratamento do médico”, explica Fernandes. “Garantir todo esse bom funcionamento dá menos abertura para possíveis incidentes, além de garantir que seu cliente tenha uma boa impressão do seu srrviço”.

Jefferson Souza, da CCEE, complementa ainda lembrando que o problema de qualquer tipo desses incidentes é que um ou outro que tomem maior proporção podem sujar permanentemente a credibilidade de sua empresa. “É um de seus objetivos [gestão de riscos] no meio de tudo isso. Se você quebra a sua credibilidade, seu contrato de confiabilidade com seus clientes, ela [sua marca] perde seu valor”, explicou Souza.

“Assim como na aviação existem as ‘falhas humanas’, o ‘erro médico’ faz parte do nosso ramo – é, inclusive, a terceira maior causa de morte no mundo, atrás apenas de câncer (2º) e doenças cardíacas (1º). Não é apenas, porém, o erro de um médico, de um profissional, mas de toda a cadeia hospitalar, de uma infecção mal contida, por exemplo… Daí a importância de olhar para o passado e corrigir os possíveis erros de sua empresa, para nunca deixar que eles se repitam”, completou Haggeas Fernandes.

E NA AVIAÇÂO?
Tratando especificamente da gestão de riscos operacionais na aviação – onde eles envolvem, literalmente, a vida de passageiros -, o gerente executivo de Segurança Operacional da Gol, Dan Guzzo, ressaltou a necessidade de se implementar métodos de mensuração da segurança dentro da empresa – e, a partir disso, criar metas que instiguem o cumprimento de suas políticas.

“Não são só acidentes envolvendo a aeronave, mas todas as chamadas não conformidades dentro da aérea como um todo, situações que falham em seguir as políticas da empresa e que podem acarretar problemas maiores, em um efeito cascata”, explica Guzzo.

Segundo ele, a própria Gol passou a mensurar isso em 2015 com a criação do Nível Ótimo de Segurança Operacional (NODSO) – e uma melhora nos resultados, desde então, já teria sido sentida.

Deste ano para trás, mais da metade das não conformidades da companhia falhavam em cumprir o prazo de correção, nível que baixou para 23% em 2015 (primeiro ano da mensuração), 13% em 2016 e 12,3% em 2017; já as não conformidades reincidentes, que antes giravam entre os 20% e 25% anualmente, passaram a ficar nos 6% desde 2016, ano em que metas foram implementadas para as áreas da empresa.

“Passamos não apenas a mensurar e colocar metas, mas também aplicar penalidades quando algum dos departamentos falha no cumprimento das exigências da organização até datas estabelecidas, e ainda uma penalidade extra para o caso de reincidência dessa falha”, explicou o responsável pela Segurança Operacional da Gol. “Com isso os resultados começaram a melhorar, as diferentes áreas da empresa passaram a seguir mais à risca a política da empresa, e então os riscos foram, ao menos em parte, mitigados”, finalizou Dan Guzzo.

Fonte: Leonardo Ramos – PANROTAS

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