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Líderes do Turismo revelam expectativas para 2018

Após um ano definido basicamente na recuperação pós-crise econômica no Brasil, 2018 surge como oportunidade para consolidar a volta por cima do mercado, em especial do Turismo. Essa visão positiva sobre o setor se baseia em fatores que vão desde a queda no endividamento das famílias brasileiras ao processo de recolocação empregatícia dos milhões de desempregados, passando por eleições presidenciais e até a quantidade de feriados estendidos.

A começar por um panorama geral da economia brasileira, o economista e estrategista chefe do Credit Agricole Brasil, Vladimir Caramashi, mostra otimismo. “O ano [2017] terminou com a economia crescendo um pouco mais do que se esperava, o que sugere um começo de ano [2018] um pouco mais forte. Esperamos uma alta anual de 3% para terminar bem [este ano]”, analisou.

A percepção crescente de que as principais engrenagens econômicas estão contribuindo para a recuperação geral dá força ao positivismo do mercado, que só deve ser afetado no caso de um “grande choque”, segundo Caramashi. “Uma melhora geral, porém, ainda depende de medidas a longo prazo.”

O Turismo se encaixa justamente entre os setores mais beneficiados, fato explicado em números. O trimestre encerrado em novembro apontou uma queda de 12% no desemprego, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) do IBGE, o que enquadra o reemprego de 543 mil pessoas em relação aos três meses anteriores.

O economista destaca que esse é um dos primeiros passos para, em sequência, resolver o endividamento das famílias, ponto diretamente ligado com o setor. “A maioria das pessoas pisou no freio durante a crise, mas esse receio já está muito menor, estimulando os gastos no Turismo”, exemplificou.

INVESTIMENTO AÉREO
Ao falar de gastos estimulados no Turismo, Vladimir Caramashi vai ao encontro com os mais recentes números da Iata sobre o mercado aéreo do Brasil. O crescimento de 3,5%, medido pelo índice RPK (passageiros-quilômetros transportados), recupera parte da queda de 5,5%, apresentada em 2016, e garante o otimismo das grandes companhias, a exemplo de Gol e Avianca Brasil.

“Teremos uma economia mais forte e, independentemente dos números, sabemos que vamos crescer. Isso cria um ambiente positivo para atrair investimentos e impulsionar a aviação”, disse o vice-presidente de Marketing e Vendas da Avianca Brasil, Tarcisio Gargioni.

O VP ainda destacou o investimento da aérea em novas bases – Navegantes (SC), Foz do Iguaçu (PR) e Belo Horizonte – e novas rotas. Segundo ele, a entrada no mercado de longo curso, com voos a Miami e Nova York (EUA), além de Santiago (Chile), “foi um passo ousado em 2017”.

Se a Avianca Brasil fala em investir mesmo em tempos de crise para colher frutos no futuro, a Gol reforça esse mesmo discurso. A chegada dos novos aviões Boeing 737 Max é um exemplo disso. “A companhia pretende continuar investindo na internacionalização”, constatou a aérea via comunicado.

COPA DO MUNDO
O grande evento esportivo realizado a cada quatro anos voltará a acontecer em 2018, na Rússia, mas como isso influencia o mercado interno? A começar pelo impacto direto, a comercialização desse produto surge como opção na CVC, uma das operadoras incluídas no pool de vendas de pacotes, mas foge do público alvo, fato explicado pelo diretor geral da CVC, Emerson Belan.

“Em função do alto valor agregado da viagem, ainda é um produto segmentado para poucos”, disse Belan, que ainda revelou o aquecimento das vendas do produto após o sorteio dos grupos e definição dos jogos da primeira fase da competição, desde dezembro.

Do outro lado, a Flytour Viagens decidiu permanecer fora do grupo autorizado a vender pacotes de Copa do Mundo e não se arrepende disso. Presidente da operadora, Michael Barkoczy afirmou que foi um caminho estudado previamente pela empresa. “Não participamos por opção. Conseguimos estabelecer um planejamento que não incluísse a Copa”, comentou.

Na aviação, tanto Avianca Brasil como Gol veem a Copa como uma leve brecha para influenciar uma pequena alta nos voos por conta da possibilidade de alguns jogos da Seleção Brasileira caírem em uma sexta-feira à tarde. No geral, porém, não deve afetar tanto o setor.

MUITOS FERIADOS: BENÉFICO OU PREJUDICIAL?
Em 2018, o brasileiro contará com cinco datas possíveis para emenda, caindo em terças ou quintas-feiras, entre feriados e pontos facultativos nacionais, além de outros nove em segundas ou sextas-feiras. Pensando friamente, o fato, por si só, já é um motivo de comemoração para o Turismo, mas há quem aponte como essa alta quantidade pode prejudicar o setor.

“Facilita a formatação de roteiros específicos de lazer para diversos destinos, ampliando o número de campanhas de marketing e vendas antecipadas”, opinou o presidente do grupo GJP, Guilherme Paulus.

Já para o CEO da Accor Hotels na América do Sul, Patrick Mendes, a oportunidade não se restringe apenas a receber hóspedes de outros lugares, mas também aproveitar a conexão com a população local. “Podemos ser um excelente destino nos feriados, não somente para viajantes, mas também para famílias e pequenos grupos de amigos que queiram, por exemplo aproveitar o dia em um de nossos hotéis com nossos serviços day use”, destacou.

Por fim, Barkoczy crê que o excesso de feriados pode interferir no resultado das agências com a redução de dias úteis ao longo do ano. Enquanto isso, o período pós-crise ainda não permite que os brasileiros realizem tantas viagens quanto o número de feriados sugere, segundo acredita o próprio presidente da Flytour Viagens.

Fonte: Raphael Silva – PANROTAS

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