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A retomada do turismo no pós-pandemia

O turismo têm sido o segmento mais afetado pela pandemia do novo coronavírus. Um relatório recente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) revela que 63% dos quartos disponíveis no universo de 800 hotéis analisados estão fechados. Além disso, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) divulgou que, no mês de março, 85% das viagens foram canceladas. O setor, que emprega 380 mil trabalhadores diretos e 1,3 milhão indiretos calculou prejuízo de R$ 2,2 bilhões no mês de março.

Recentemente, o governo federal editou uma medida provisória que possibilita um pouco de alívio ao setor, autorizando, em caso de cancelamento de serviços como pacotes turísticos e reservas em meios de hospedagem, a não obrigatoriedade de reembolso imediato dos valores pagos pelo consumidor, desde que ofereça opções.

 Apesar do cenário inédito e caótico, entidades acreditam na retomada a partir do segundo semestre. O Rio de Janeiro, por exemplo, já iniciou os planos de retomada com foco no turismo doméstico, a partir de um provável afrouxamento das medidas de isolamento. Na capital paulista, já há muito procura por reservas para a realização de eventos corporativos, em junho. É importante lembrar que as feiras, congressos e convenções empresariais concentram os maiores orçamentos do turismo de negócios.

É imprescindível que após o pico da pandemia, a hotelaria e o turismo em geral se reinventem. E existem aspectos que serão fundamentais para o êxito do setor daqui para frente, como a adoção de novos padrões de limpeza, por exemplo. Muitos empreendimentos já começaram a seguir os moldes de higiene dos ambientes hospitalares e, possivelmente, devido às restrições de espaço, os hotéis também precisem criar ambientes abertos, oferecendo aos hóspedes experiências voltadas ao ar livre e à natureza.

Além disso, uma parte importante pós-retomada é em relação as melhorias operacionais do setor, que incluem: Estratégia (Pesquisa, conhecimento do cliente e análise de dados); Operação (Fazer mais com menos, reciclagem de equipe e revisão de processos) e Digital (Startup multifuncional, gestão de projetos com rapidez, adoção de novos sistemas, robótica entre outros).

Enquanto a retomada no segmento não acontece, o momento atual é propício para que as empresas exerçam a solidariedade. Alguns hotéis das principais capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife aderiram à campanha “Você pelos outros, nós por vocês”. O objetivo é oferecer aos profissionais de saúde que estão na linha de frente dos tratamentos de pacientes com covid-19, e que por medida de segurança preferem não voltar para casa, hospedagem com descontos e preços acessíveis. A ação é promovida com o intuito de contribuir com medidas para evitar a propagação da doença.

Assim como se espera em relação à economia como um todo, no turismo, e especificamente na hotelaria, as coisas não serão diferentes, nada será como antes. Apesar de ainda não termos chegado ao pico da doença no Brasil, o que dificulta demais a definição de perspectivas e o trabalho sobre cenários, temos a certeza que o setor precisará passar por sérios ajustes, administrativamente e financeiramente, para se readequar e voltar a crescer. Mas temos certeza que nossos gestores, extremamente criativos e bem preparados, com o apoio de políticas públicas concretas, conduzirão as empresas do segmento à normalidade e à retomada da curva de crescimento no número de clientes.

Fonte: Estadão

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