Casablanqueanos pelo mundo: Joanesburgo e Cape Town

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Após mais de 24 horas em um trajeto interminável (Fortaleza > São Paulo > Joanesburgo > Cape Town) finalmente cheguei à África. A cor alaranjada da terra, os sulcos no solo tão antigos que quase ão se consegue contar quando surgiram e uma montanha. Uma das 7 maravilhas Naturais do Mundo surgia ali na minha frente: imponente e sóbria. Sem picos bem definidos, com apenas um longuíssimo terreno praticamente plano no topo, faz jus ao seu nome: Table Mountain. Finalmente havia chegado em Cape Town.

Panorâmica da Camps Bay - Cape Town
Uma vez já instalado em Cape Town (Green Point, ótima e recomendada zona), foi a vez de programar os escassos dias nessa cidade que me ganhou logo de cara. Visitar a Robben Island, passear pelo Waterfront, subir a Table Mountain, degustar vinhos deliciosos da África do Sul nos vinhedos periféricos da cidade, tomar uma cerveja pela Long Street… Opções não faltam: seja qual for o tamanho do seu bolso, seja qual for seu estilo. No primeiro dia, aproveitamos que o clima estava a nosso favor, colocamos uma roupa apropriada, um tênis confortável e partimos rumo à Table Mountain. A subida no início foi OK, até para um sedentário de carteirinha VIP como eu, mas com uma hora, aproximadamente, o bicho pega!

Foi ficando cada vez mais íngreme, com pedras altas e que exigiam muito das minhas pernas já cansadas… Até que chegamos ao topo. Realmente a subida vale a pena: o visual é incrível, dá pra ver toda a cidade e seus principais pontos turísticos.

Ah! Para quem não curte a aventura de subir a pé, tem um bondinho giratório que faz esse trajeto em alguns minutos. Ou seja: dá pra todo mundo usufruir do que a Table Mountain oferece!
Após a Table Mountain, fomos descansar na Camps Bay, uma praia que fica na frente dos Doze Apóstolos – uma face da Table Mountain que possui formações rochosas bem legais. Praia linda, com vários restaurantes na costa e com um urbanismo de dar inveja. Perfeito para passear com a família, sentar e contemplar a vida acontecer.

Vista da Table Mountain - Cape Town
No dia seguinte nos programamos para ir à Constantia Valley, a região de vinhedos mais próxima à Cape Town e também a mais antiga (mas não sei se a melhor). Foi a vez de provar alguns dos vinhos que fazem a fama dessa região se propagar pelo mundo dos enólogos. Valeu a visita, mas acredito que há outras melhores, porém mais distantes. Portanto, se tiver com pouco tempo, é uma boa escapada bate­ -volta o centro de Cape Town.
No terceiro e último dia pegamos um trem local e fomos para Simon’s Town, uma cidadezinha a uns 50km de Cape Town, para observar os pinguins africanos que habitam essas costas. É um local bem estruturado para levar as crianças e poder observar esses simpáticos bichinhos no seu habitat natural. No trem, conhecemos dois espanhóis que estavam indo para Simon’s Town também e acabamos decidindo pedir um Uber para ir juntos ao Cabo da Boa Esperança: o pedaço da África que divide os dois oceanos, Índico e Atlântico. Desse modo saiu muito mais barato do que se tivéssemos pagado um tour fechadinho. Dica boa para quem, como nós, quer economizar os preciosos rands! Só tem que se ligar do horário dos trens para voltar.

Pinguins em Simon's Town, perto de Cape Town

Saímos de Cape Town rumo a Joanesburgo (ônibus local, passagem comprada na rodoviária com 1 dia de antecedência pela empresa Intercape). Depois de quase 1 dia viajando, passando por paisagens lindas, montanhas, vinhedos e interagindo com pessoas locais, chegamos a Jo’burg (como todo mundo chama a cidade por aqui). A primeira impressão não foi das melhores: cidade grande, complexa, muitos mendigos e poucas atrações à primeira vista. Mas tudo mudou quando fomos ao Apartheid Museum. O lugar é um compilado impressionante sobre as décadas do regime que institucionalizou o racismo e a segregação entre negros e brancos. Como resultado ganhamos uma aula de história e um soco no estômago: casamentos e relações sexuais interraciais eram proibidas; escolas e bairros exclusivos para brancos e para negros; poder de voto exclusivo para brancos… O que aconteceu com esses povos foi algo tão absurdo que é impossível sair incólume da experiência. E pensar que tudo isso só “acabou” em 1992 e que o primeiro presidente só foi eleito em 1994. Lugar necessário e obrigatório.
Em apenas alguns dias, a África do Sul se configurou como um dos países mais interessantes que já visitamos: muita beleza natural, diversas atividades para fazer, história impressionante e com um povo que, se não é um dos mais calorosos e festeiros como os brasileiros, é cortez e gentil.

E que venha os próximos dias: um self­safari pelo Kruger National Park!

Pedro Marques (Publicitário)

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Last modified: 21 de outubro de 2015

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