O que vivi na África – Pedro Marques

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Ainda sob o efeito do Apartheid Museum em Joanesburgo, voltamos ao hostel para descansar e nos preparar para o grande motivo de ter vindo à África do Sul: fazer um safari no Kruger National Park, mas não antes de passar pelo Blyde River Canyon.
BLYDE RIVER CANYON
O Blyde River Canyon (daqui pra frente, BRC) é um cânion impressionante que fica a um leve desvio de caminho entre Joanesburgo e o Kruger. Seu nome também batiza uma reserva que inclui outras formações rochosas, cachoeiras e viewpoints bem legais. Após 4h30 dirigindo em mão inglesa pela primeira vez, chegamos a Graskop (cidadebase para quem pretende explorar a região) já no comecinho da noite. O plano era acordar cedinho no dia seguinte, visitar os pontos turísticos do BRC e depois pegar estrada rumo ao Kruger. E tudo saiu nos conformes: conseguimos conhecer o famoso Three Rondavels, uma formação rochosa bem diferente e de cair o queixo (vale muito a pena ir, e a entrada custa somente R10, por carro!) e no caminho passamos pelos Bourke’s Luck Potholes, mais umas rochas com uns buracos diferentes (esse já deixou muito a desejar e ainda era bem mais caro: R30 por pessoa + R20 pelo carro). Ainda tinha para ver duas cachoeiras – Berlin e Lisbon Falls – e a God’s Window, um mirante que dizem ser bem legal. Mas essas não deu para ir e ficaram para a próxima viagem.

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Vista pros Three Rondavels. De arrepiar!

KRUGER NATIONAL PARK
Passada essa mini roadtrip , finalmente chegamos ao Kruger National Park!
Para quem não sabe, o Kruger é a maior área de conservação da África do Sul. E ele é grandenmeeeeesmo: aproximadamente 350 km de norte a sul e 60 km de leste a oeste. Maior que o estado do Sergipe! Após diversas leituras em blogs e fóruns especializados, decidimos fazer o que lá é chamado de selfsafari. Em outras palavras: você aluga um carro e sai dirigindo pelas estradas de dentro do parque à procura dos animais, sem guia e sem nada!

Mas calma lá que existem algumas regras a serem seguidas: não pode sair do carro de jeito nenhum (não me pergunte o que fazer se um pneu furar, por exemplo :P), não pode alimentar os animais (eles ficam “dependentes” da comida humana) e tem de respeitar religiosamente os horários de entrada e saída dos lodges . Lodges são os “acampamentos” que são montados dentro da reserva, uma área cercada e relativamente segura onde os humanos podem ficar. Fora deles, a lei da selva é a que impera.

Existem os lodges do próprio Kruger e os privados, onde geralmente o luxo e a sofisticação são encontrados.
Ainda quando estávamos no Brasil, reservamos o aluguel do carro – que não precisa ser um 4×4, um 1.0 simples dá conta do recado – e 3 diárias em 2 lodges diferentes: Skukuza Rest Camp, o maior do Kruger, e o Lower Sabie Rest Camp, considerado por muitos o melhor de todos.

Essas reservas são feitas no site do SANParks ( www.sanparks.org). É recomendado que se faça com antecedência de uns 2 meses se for para os lodges maiores (Skukuza) e uns45 meses para os lodges mais concorridos (Lower Sabie).

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Nosso carrinho na África do Sul. Humilde, porém deu pro gasto! 🙂
Em todos os dias acampamos e a experiência foi bem legal. Os lodges possuem uma estrutura bacana, com banheiros limpos e água quente, cozinha comunitária (levem seus utensílios, pois lá só tem fogão) e várias churrasqueiras espalhadas pelo camping, mas não possui aluguel de nenhum tipo de equipamento. Desse modo, é preciso levar, no mínimo, a barraca. Possui também um mercado, posto de gasolina, cafés e restaurantes. No nosso caso, foram 3 dias comendo sanduíche durante o dia e, à noite, churrasco de impala e outros bichos estranhos. 🙂

No mais, a experiência de fazer um safari é indescritível. Os cheiros, os sons e a adrenalina de estar ali, ao lado de animais selvagens em seu habitat natural é fascinante, mágica!

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Tivemos a oportunidade de ver muitos animais e, entre eles, todos os Big Five : elefante (tem aos montes), búfalo (dizem que há vários, mas vimos poucos), rinoceronte (rolou a sorte de ver três vezes, e uma delas foi bem ao nosso lado e com a família completa: pai, mãe e filhote!), leopardo (o mais difícil de se ver, cruzamos com apenas um) e leão (vimos três vezes também, mas todas as vezes de longe… uma pena). Aqui vão algumas fotos da aventura:

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Também fizemos duas atividades com guias: um Night Drive e um Morning Walk .
O Night Drive é um safari noturno, onde você sai naqueles carros abertos típicos de safari com lanternas potentes na mão à procura dos bichos que possuem hábitos… noturnos! Foi legal, embora bem curto (2h30, aproximadamente). Dentre os animais que vimos, destaco a hiena (que vimos de dia, mas ela tava dormindo), porcoespinho africano (mais um animal bem difícil de ver) e uma família furiosa de rinocerontes que tavam brigando com alguma coisa (não conseguimos ver ao certo o que era).
O outro passeio guiado foi o Morning Walk , mas acabou se tornando a decepção em formato de tour. =/

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Os guias até tentaram, mas o máximo que vimos foram diversos cocôs (curiosidade: o da hiena é branco porque ela come ossos e o cálcio sai todo pelas fezes), rastros e mais rastros de animais e uns javalis selvagens que, convenhamos, se vê até dentro dos lodges . 😛
Aqui vão algumas dicas práticas:

● Apesar de ver várias famílias com crianças pequenas dentro dos lodges , não sei se recomendaria fazer safari com eles. A adrenalina existe, mas hei de ser sincero: a maior parte do tempo passamos dirigindo à procura dos bichos. Para uma criança, talvez seja entediante.

● Quer ter certeza de ver um animal? Vá para um zoológico (daqueles éticos, por favor!). Safari é para quem entende que é a natureza quem manda.

● Existem limites de velocidade dentro do parque: 50 km/h nas estradas principais (asfaltadas) e 40 km/h nas secundárias (de terra batida). E vimos fiscalização, hein!

● Tá com pique pra tentar encontrar os animais? Pegue as estradas secundárias. Nossos melhores momentos aconteceram nelas. Tá cansado de dirigir? Pegue as estradas principais. Quando tiver algo acontecendo, com certeza haverá alguns carros parados observando e aí você cola neles!

● É melhor ir na época seca. Com menos água, os animais ficam concentrados nos leitos
dos rios e lagos. Além das plantas e arbustos estarem secos e menores, facilitando,
assim, avistar os bichos.

● Na época seca a incidência de mosquitos diminuem (e consequentemente os ricos de pegar malária).

● Se quiser tirar aquela foto incrível de um leão caçando uma zebra, invista em um bom equipamento, sobretudo em um bom zoom. As cenas mais legais dificilmente acontecerão ao seu lado.

● Tem que acordar cedo, muito cedo. O ideal é sair quando os portões dos lodges abrem (que varia entre 4h30 e 5h30 da manhã), pois os animais ficam mais ativos ao amanhecer e ao anoitecer.
Então é isso, pessoal. Tá esperando o quê pra colocar a África do Sul como seu próximo destino? Qualquer dúvida, manda mensagem que respondo na hora! E assim se encerra o capítulo África do Sul da nossa viagem.

Próximo destino? A tecnológica Singapura.

Até breve!

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Last modified: 12 de junho de 2017

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