Uma aventura pela Ásia: Bali

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Me despedi de Singapura em uma manhã nublada. Depois de 2h30min, estava desembarcando na Indonésia, esse país do qual já havia lido e ouvido falar tanto, visto em documentários e programas de TV. Com a promessa de encontrar uma natureza exuberante, um povo caloroso e preços convidativos, cheguei ao aeroporto de Denpassar, na ilha de Bali (uma das 17.000 ilhas que compõem o arquipélago da Indonésia), cheio de ilusões.

BALI, CADÊ VOCÊ?
No primeiro momento, aquele choque usual de quando se chega a uma cidade asiática (não que Singapura não seja na Ásia, óbvio, mas não é uma cidade asiática no sentido sensorial da coisa): caos, caos e caos.

Vendedores clamando por sua atenção, motoristas de taxi buscando o próximo passageiro para, quem sabe, oferecer um “tournãocontratadomaspago”, mochileiros vindos de todas as partes do mundo, casais em luademel, famílias… É, chegamos à Ásia. Indonésia, assim como boa parte dos destinos asiáticos, é um país que tem de tudo, para todo os gostos e bolsos. No nosso caminho, cruzamos com duas alemãs e puxamos papo. Nosso objetivo era ir para Kuta, a principal praia de Bali – sonho de muitos solteiros e/ou surfistas –, e buscávamos alguém para dividir um taxi. Elas iam para Seminyak, uma praia ao lado de Kuta e que, segundo o que havíamos lido, também era legal, mas meio carinha. Topamos. A viagem foi tranquila, com o motorista de taxi meio doido, que nos ensinou a palavra que mais falamos por essas bandas: terima kashi – em bom português, “obrigado”. Chegamos em Seminyak e, de fato, era uma praia cara para padrões indonésios. Buscamos hotéis, mas tudo meio fora do alcance dos nosso bolsos. Não teve outra: pegamos outro taxi e fomos para Kuta.

Nos alojamos em um hotel bem bacana e, finalmente, barato: 250.000 IDR*, quarto duplo com ar condicionado e banheiro dentro, super ajeitadinho. Aos poucos, fomos nos acostumando com os sons, cheiros, gostos e… jovens bêbados! Longe de mim pagar de puritano, mas nem na Khao San Road (rua de Bangkok considerada a meca dos mochileiros) eu vi tamanha farra!

Bares passando rugby, todos os menus voltados para australianos (australian breakfast, australia diner, australian beer), loirospimentões desfilando com suas Havaianas no pé e suas Bintangs (única marca local de cerveja) na mão. Nada contra a Austrália, mas eu queria ver a
Indonésia! 🙂

Ruas de Kuta, na ilha de Bali: trânsito, buzina e poluição. Não era isso que tinha em mente. Foto: Martín Abbá

Ruas de Kuta, na ilha de Bali: trânsito, buzina e poluição. Não era isso que tinha em mente. Foto: Martín Abbá

Cadê aquela Bali idílica que sempre esteve nos meus sonhos? Aqueles templos lindos? Aquela
cultura mezzo hindu, mezzo budista que só se encontra em Bali e que havia apreciado tanto nas fotos? Em Kuta é que não estava.

Praia de Kuta. Foto: Martín Abbá

Praia de Kuta. Foto: Martín Abbá

Demos dois dias para Kuta melhorar, mas a pobrezinha não conseguiu. É como um conhecido comentou comigo: se você não é solteiro (chek!) e não surfa (chek!), Kuta não é seu lugar na Indonésia. Na primeira oportunidade, fomos para outra cidade: Ubud, conhecida pelos seus templos e intermináveis campos de arroz.

 

UBUD, SUA LINDA.
Como o enunciado aí acima já denuncia, Ubud foi amor à primeira vista. Uma paz e uma tranquilidade incríveis (principalmente se você vem de Kuta), que era justamente o que estávamos buscando depois de quase 3 semanas viajando no modo maraturista .

Planejamos a nossa ida para Ubud com direito a uma parada em um lugar muito especial: a Green School ( greenschool.org ), uma impressionante escola considerada a mais verde do mundo. E, de fato, ela faz jus à fama. Um gigantesco complexo educacional, todo construído com bambus e utilizando várias técnicas de permacultura, sustentabilidade & otras cositas más. Apesar de ser privada e de ser criticada pelo fato de grande parte dos alunos serem estrangeiros, a escola possui um programa de ensino de inglês, cursos e workshops com temas envolvendo a sustentabilidade para a comunidade local, tudo gratuito. Eles fazem visitas guiadas diariamente (120.000 IDR* por pessoa), já que ela é referência e recebe curiosos e interessados em estudar o assunto de vários cantos do mundo (no dia de nossa visita, havia uma equipe de TV do Japão gravando um programa, vou aparecer na TV japonesa! :D).

Green School e sua vibe ecofriendly. Visita massa para os interessados em sustentabilidade. Fotos: Martín Abbá

Green School e sua vibe ecofriendly.
Visita massa para os interessados em sustentabilidade. Fotos: Martín Abbá

Nosso plano era ficar uns 2 dias em Ubud, que acabaram se transformando em 4 e quase viraram 5, tamanha a nossa recusa em sair de lá. Apesar de parecer pequena, a ilha de Bali tem muita coisa pra ver. Nesses 4 dias em Ubud, nosso tempo ficou dividido entre:
● Monkey Forest: é um parque/templo reservado ao macacos. Aqui quem manda são eles, e eles são muitos! Passam o dia, basicamente, catando os piolhos uns dos outros, comendo frutas, brigando e roubando os turistas. Na entrada, há vários avisos para que os turistas escondam seus pertences pequenos (óculos, câmera fotográfica) e que não entrem com comida. Se sentirem o cheiro, os danados pulam em você e fuçam até encontrálas! Foi um passeio leve, super divertido e extremamente não recomendado para quem não vai muito com a cara deles. A entrada para adultos é 30.000 IDR*.

"Isso, agora cata aqui que tem um piolho me incomodando" Foto: Martín Abbá

“Isso, agora cata aqui que tem um piolho me incomodando” Foto: Martín Abbá

 

● Tirta Empul Temple: é o templo hindu em homenagem às holy springs: águas que, segundo a tradição hindubalinesa possuem poder de purificação. Havia lido que esse templo é muito visitado por turistas e que, muitas vezes, o que se vê são apenas eles tomando banho nas águas sagradas, meio alheios, sem saber muito o que estão fazendo. Contudo, tivemos sorte: fomos em um dia de lua cheia (anota a dica!) e havia vários hindus fazendo suas preces e rituais no templo. E pouquíssimos turistas. Foi mágico, que rituais lindos! A entrada foi gratuita, pagamos apenas 2.000 IDR* para alugar um sarong (um pano que os homens usam como uma espécie de saia), já que era obrigatório.

Água que purifica, que lava e leva o que lhes é estranho. Foto: Pedro Marques

Água que purifica, que lava e leva o que lhes é estranho. Foto: Pedro Marques

 

● Ulun Danu Temple: esse fica um pouco mais afastado. As fotos na internet mostravam um templo belíssimo, flutuando sobre as águas de um lago. Talvez tenha ido com muita expectativa, mas não me impressionou muito. Não é tão grande quanto parece e o lago não estava cheio o suficiente para dar a ilusão de que ele estava flutuando, uma pena. =/

Valeu o passeio também, mas não figurou entre os mais belos. A entrada foi 30.000 IDR*.

Era bonito, mas mais bonito nas fotos. :) Foto: Pedro Marques

Era bonito, mas mais bonito nas fotos. 🙂 Foto: Pedro Marques

 

● Jatiluwih Rice Terrace: são os maiores terraços de arroz do mundo e, por isso, Patrimônio da Humanidade, segundo a UNESCO. São basicamente campos e mais campos de arroz, semeados de forma que parece uma pintura, de tão belo. Os tons das cores variam de acordo com a época em que você vai: verde intenso na época do plantio, amarelo dourado na época da colheita. Pagamos 10.000 IDR* de entrada.

Verde até perder de vista. Foto: Pedro Marques

Verde até perder de vista. Foto: Pedro Marques

 

● Dança Balinesa: sempre havíamos lido que Bali – e sobretudo Ubud – era uma ilha mágica, impregnada de uma cultura milenar e super autêntica. Chegamos a Ubud e uma das coisas que queriamos ver era um espetáculo de dança balinesa. Foi interessante ver várias dançarinas fazendo uns movimentos estranhos e engraçados ao mesmo tempo. Os sons repetitivos, que me fez lembrar mantras e rituais hipnóticos, também fazem parte do espetáculo e dão um charme à coisa toda. Só achei meio longo e com meia hora já tava meio cansado. Vimos em um teatro cujo nome não me recordo, mas o preço foi 75.000 IDR*.

Dança balinesa: elas ficavam mexendo os braços e olhando estranho pros cantos. :D Foto: Martín Abbá

Dança balinesa: elas ficavam mexendo os braços e olhando estranho pros cantos. 😀 Foto: Martín Abbá

 

● Provar os sabores indonésios: uma das coisas mais legal de uma viagem, pelo menos para mim, é experimentar a culinária local. Minhas papilas gustativas estavam histéricas para provar os sabores indonésios! A melhor dica que posso dar é: experimente a comida dos warungs . Warungs são basicamente postos de comida local, geralmente bem baratos (cada prato custa entre 10.000 e 60.000 IDR*, dependendo da região) e de administração familiar. Mãe, pai e filhos se revezam no ato de servir bem. Ou seja: se for chique, provavelmente não será um warung. Em Kuta, vimos alguns lugares que se autointitulavam warungs , mas quando chegamos em Ubud foi que nos deparamos realmente com os autênticos.

Experimentamos vários pratos típicos e o meu preferido foi o Nasi Goreng: basicamente arroz frito e refogado com verduras, alguma proteína (carne vermelha, frango ou frutosdomar), uns molhos estranhos e levemente picantes (tem um de amendoim que não curti muito, mas o Martin adorou!) e… UM OVO
ESTRELADO EM CIMA! <3

Nasi Goreng. Esse era de restaurante porque os de warungs são menos fotogênicos. Foto: Pedro Marques

Nasi Goreng. Esse era de restaurante porque os de warungs são menos fotogênicos. Foto: Pedro Marques

E assim nossos dias na ilha de Bali foram passando. Viajar é, também, quebrar (ou confirmar) conceitos: Kuta, ao sul, com suas baladas e caos, nos decepcionou; Ubud e suas montanhas, ao norte, com sua calma e cultura, nos surpreendeu. Se fosse possível resumir Bali em uma palavra, esta seria “contradição”: caos e tranquilidade, modernidade e tradição. Tudo coabitando no mesmo pedaço de terra. No fim, ficamos com um gosto enorme de quero mais Bali, mas tinhamos de seguir viagem. Descemos a montanha rumo ao porto de Padang Bai para pegar um ferry que nos levaria para Lombok, uma outra ilhaqueridinha
da Indonésia, lar de vários pontos incríveis de snorkelings e praias de cair o queixo.

No nosso próximo encontro, conto pra vocês como foi! 🙂

*IDR: Rúpia Indonésia. Cotação que pagamos aproximadamente: 1 US$ = 13.500 IDR

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Last modified: 24 de novembro de 2015

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