Norte da Tailândia de moto, a viagem do Pedro Marques

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O Norte da Tailândia sempre nos inspirou curiosidade. Lugares remotos, paisagens estonteantes, clima ameno, preços convidativos e um sem ­fim de atividades ao ar livre para se fazer. Diante de tantas possibilidade, decidimos alugar umas scooters (Honda Click 125cc, $ 180 Baths por dia/moto, aprox. US$ 5,00), e sair por uma rota chamada Mae Hong Son Loop e descobrir, por nossa conta, todos os mistérios que essa região montanhosa reserva.

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SURPRESAS E DESAFIOS DE UMA REGIÃO APAIXONANTE

Começamos nossa jornada em Chiang Mai, (cidade que estávamos para o Loy Krathong) e depois de cinco horas e meia estávamos em Mae Sariang. No caminho, vários templos, vistas e muita aventura na experiência de dirigir moto pela primeira vez (pelo menos para mim, rss). No dia seguinte, foi o dia de subir de Mae Sariang para Mae Hong Son. Paramos na Kaew Komol Cave, uma das 3 cavernas do mundo (segundo li em algum lugar) que possui cristais em seu interior. Legalzinha, mas nada demais. Depois disso fizemos um desvio para visitar a Thung Buatong Forrest, um das coisas mais lindas que ja vi na vida. São quilômetros e quilômetros de montanhas e vales cobertos por flores parecidas com girassol, criando um “mar de flores” em uma paisagem surreal e onírica. Parecíamos que estávamos dentro de um filme (mais especificamente Peixe Grande, do Tim Burton), e com certeza foi um dos pontos altos de toda a viagem. O sol já começava a se pôr e decidimos continuar a descida para Mae Hon Song. Depois disso, nosso GPS nos orientou a descer por outro caminho, para voltar à estrada principal. Seguimos, já que ele estava se mostrando super confiável… Até esse momento.

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Dirigimos por mais duas horas, aproximadamente, até percebermos que havíamos nos afastado do caminho correto. Nos orientamos melhor pelo GPS e voltamos para encontrar o caminho que ele mandava a gente ir. Era uma estrada de terra e pedregulhos, extremamente íngreme, que não inspirava nenhuma confiança. Mesmo relutando, decidimos seguir as recomendações do aplicativo e ir por ela. A estrada piorava a cada metro: ficava mais fechada, menos marcada no chão e com arbustos e galhos cada vez mais densos cruzando nosso caminho. Sabe aquelas marcas de pneu que um carro deixa? Pois bem, a “estrada” era isso. Depois de alguns metros descendo, o caminho se tornou muito íngrime e muito arriscado. As motos pesadas, o frio da montanha, o completo breu e a mata fechada nos fizeram repensar o que estávamos fazendo e acabamos dando meia volta. Quando subíamos, observei algumas frutas estranhas penduradas em algumas árvores. Pareciam mangas ou alguma outra fruta longa, robusta. Não reconheci de primeira, mas, conforme fui subindo, as coisas foram ficando mais claras. Pude reconhecer melhor o que antes pareciam mangas penduradas: na verdade, eram armadilhas gigantes de aranhas. Todo o teto era um entrançado de teias, folhas, insetos mortos e as donas das casas, formando um túnel fantasmagórico e digno de filme de terror. Senti um arrepio por toda as costas e uma sensação de pânico me dominou: queria sair daquele lugar o quanto antes, mas o peso das motos não deixava. Por ser muito íngreme e com muito pedregulho, havia descido da moto e estava levando­a ao meu lado. Tirei forças não sei de onde e consegui empurrá­la até um ponto levemente melhor da estradinha, onde pude subir e fugir daquele caminhozinho dos infernos. Ufa! Passado o susto, nos demos conta de que o melhor a fazer era voltar todo o caminho até antes do desvio que fizemos para ver a Thung Buatong Forrest (os campos de flores sobre os quais comentei mais acima). A gasolina estava nas últimas e arriscamos dirigir até encontrar o próximo posto de gasolina. Umas duas horas depois, encontramos umas máquinas de autoatendimento de gasolina – mas que aceitavam apenas moedas como pagamento, e só tínhamos praticamente cédulas. Juntamos cada moedinha escondida entre os casacos, bolsos, mochilas e conseguimos colocar 500ml para cada. Foi a quantidade justa para chegar no próximo posto de gasolina, já na estrada principal (tipo uma BR), e seguir viagem para Mae Hong Son. Nesse trajeto final, já não aguentávamos mais dirigir. Estávamos super cansados, os dedos congelando de frio e, para melhorar tudo, começa a chover. Seguimos viagem mesmo assim, porque a vontade de chegar logo à cidade era maior. Para completar, como a cereja do bolo desse dia incrível, quando estávamos a 8km de chegar na cidade, o pneu de um amigo que estava viajando conosco decidiu furar, o que fez esses 8km os mais longos 8km da história. Finalmente, chegamos à Mae Hong Son às 2h da madrugada. O que deveria ser uma viagem tranquila, de aproximadamente três horas e meia, no máximo, se converteu em uma verdadeira odisséia de 14 horas que nos levou à cavernas de cristais, montanhas cobertas de flores e uma aventura que nem de longe poderiamos imaginar. No dia seguinte, o plano era ir para Pai – cidadezinha conhecida pelo seu ambiente de artistas e mochileiros bem ao norte da Tailândia – e no caminho conhecer umas cavernas. Contudo, o pneu do nosso amigo furou novamente e isso nos atrasou um pouco. Acabamos passando a noite em Sappong, uma cidadezinha que serve como apoio para conhecer a Tham Lot Cave. Na manhã seguinte, saimos rumo à caverna e… Que caverna, companheiros! Com certeza a mais legal que já entrei. Para explorá­la, é necessária a companhia de um guia local que leva um lampião de querosene, o que cria um clima totalmente diferente das usuais cavernas que tem iluminação artificial e aqueles LEDs cafoníssimos. Além do charme da ausência de luz, também tem de pegar uma balsa feita de bambu – que está incluída na entrada – para cruzar um rio que transpassa a gigantesca e altíssima caverna. O preço dessa brincadeira foi de $ 150 bath por pessoa, aprox. US$ 5, uma pechincha para a experiência! Após isso, dirigimos por mais algumas horas e chegamos à cidadezinha de Pai. Charmosa e bem mais turística que as cidades anteriormente visitadas, mas igualmente recomendada.

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Na manhã seguinte era dia de voltar ao nosso primeiro destino do looping: Chiang Mai. Saímos por volta de meio ­dia de Pai, o que nos deu tempo de parar no Pai Canyon (grátis, mas não tão atrativo), em umas cachoeiras e águas termais pelo caminho. A entrada para as águas termais custava $ 300 baths por pessoa, aprox. US$ 8,50 (caríssimo, para padrões asiáticos). Ficamos nas termas até umas 16h30 e dalí o plano era ir direto para Chiang Mai, sem nenhuma parada, para chegar no fim da tarde/início da noite.

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Entretanto, vem o destino e nos dá outra patada na cara. A estrada Pai ­Chiang Mai é, sem sombra de dúvidas, a pior estrada que já peguei na vida. São infinitas curvas, cada uma mais fechada que a outra, muito íngrime, com vários quilômetros em construção e cheia de pedregulhos que fazia a moto derrapar a cada segundo. Começou a entardecer e não estávamos nem na metade do caminho entre as termas e Chiang Mai. Foi aí que o pior aconteceu: em uma curva fechadíssima, com um caminhão na frente, muita pedra no chão e íngrime pra caramba, levei uma baita de uma queda. Ainda bem que estava de capacete, calça e manga longa, porque senão o estrago teria sido pior. Sorte que eu também tinha seguro viagem! O impacto foi grande o suficiente para quebrar o capacete e abrir uma bela de uma ferida no meu joelho. Tremia de medo, tremia de frio e tremia de pavor em pensar que teria que encarar mais três, quatro horas nessa estrada que não proporcionava absolutamente nada de segurança para os condutores. Enquanto estava me recompondo, passaram algumas vans com turistas, caminhões e carros 4×4. Todos os veículos tinham que parar no meio do caminho, colocar uma marcha com mais força e subir, porque a estrada não permitia subir de uma vez só, tamanha sua angulação e a quantidade de pedregulhos. Já recomposto e com o pânico dominado, subimos novamente nas scooters e continuamos o trajeto. Foram horas de muito medo, mas que no fim das contas deu tudo certo. Chegamos à Chiang Mai aproximadamente 21h. Jantamos e, finalmente, pudemos descansar.

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Essa viagem de moto foi uma loucura. Talvez a maior loucura que já fiz em uma viagem (a pessoa NUNCA dirigiu uma moto na vida e decide fazer isso pela primeira vez em uma viagem de 5 dias em um país estranho, cuja infraestrutura não é das melhores, numa região remota e com relevo bastante acidentado… ideia de gênio, não?! rss), mas que valeu a pena demais! Seguramente, faria tudo exatamente de novo, com excesão do trecho Pai ­Chiang Mai. Recomendo o aluguel de uma moto apenas quando chegar em Pai, porque assim se você fará esse perigoso trajeto de van/ônibus com um motorista que, com certeza, conhece a estrada. A Tailândia é, até agora, meu país preferido no Sudeste Asiático. Acho difícil que algum país consiga combinar belezas naturais, preços ótimos, comidas bem baratas e gostosas e com uma população local simpática (e mais simpática ainda se você tiver dinheiro para gastar). A Tailândia é exatamente como diz o slogan do governo: Amazing Thailand!

*Pedro Marques está viajando pela Ásia com o apoio da Casablanca Turismo e da April Seguros.

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Last modified: 12 de junho de 2017

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